Os "covardes" de Lula
SAÍDA · URUGUAI · 1964BANIDO · MÉXICO · 1969ENTRADA · ANISTIA · 1979SAÍDA · EUA · 27/10/2026

Os "covardes" de Lula

Quem saiu do Brasil de 1964 a 2026, quem voltou para governar com Lula e o que ele disse sobre cada saída, em ordem de data e com a imprensa de cada época.

Primeira edição: 28 de outubro de 2026 · Compilação de material publicado pela imprensa, de registros oficiais e de livros de memória

Leia também O Celular de Vorcaro · O Celular de Roberta Luchsinger · O Celular do Careca do INSSAtualizado em 28 de outubro de 2026
Capítulo 1

A primeira leva

1964 a 1968

O golpe de 1º de abril de 1964 depõe João Goulart (PTB). Os atos institucionais cassam mandatos e direitos políticos. A primeira geração de exilados, segundo a historiadora Denise Rollemberg, é formada por políticos do governo deposto e é marcada por uma perseguição ainda seletiva.

Abril e maio de 1964: o Uruguai

Em 2 de abril, Goulart chega a Porto Alegre, desautoriza a resistência armada que Leonel Brizola (PTB), ex-governador do Rio Grande do Sul, deputado e seu cunhado, tentava organizar com o comandante do 3º Exército, e parte para o exílio no Uruguai. Brizola também vai para o Uruguai, onde fica até setembro de 1977, quando o governo uruguaio, pressionado pela ditadura brasileira, decreta sua expulsão (Migalhas). Segundo reportagem do Jornal Opção sobre a biografia escrita por Cleber Dioni Tentardini, ele fugiu disfarçado de soldado da Brigada Militar.

1965: a Argélia

Miguel Arraes, governador de Pernambuco, é preso no próprio 1º de abril de 1964 e passa 11 meses em Fernando de Noronha. Em abril de 1965, o STF lhe concede habeas corpus. Solto em 25 de maio, vai direto para a Argélia, onde fica 14 anos (Fundação Perseu Abramo).

O Chile

Fernando Henrique Cardoso e José Serra, que depois fundariam o PSDB, vivem no Chile nos anos seguintes ao golpe, assim como outros intelectuais. Os dois enfrentariam Lula (PT) e Dilma (PT) nas urnas (capítulo 4).

13 de dezembro de 1968: o AI-5

O Ato Institucional nº 5 fecha o Congresso e suspende o habeas corpus para crimes políticos. Começa a segunda leva: estudantes, artistas e militantes da luta armada.

Até ali, o regime cassava e deixava sair. Catorze dias depois do AI-5, a polícia bateu à porta de dois cantores baianos.

Capítulo 2

AI-5, banimentos e prisões

dezembro de 1968 a novembro de 1972

Dezembro de 1968 a julho de 1969: Gil e Caetano

Gilberto Gil e Caetano Veloso são presos em São Paulo em 27 de dezembro de 1968, 14 dias depois do AI-5, e levados ao Rio. Soltos em fevereiro de 1969, ficam confinados em Salvador até julho, fazem um show de despedida no Teatro Castro Alves e partem para Londres (Jornal da Paraíba; JB).

Retrato em preto e branco de Caetano Veloso, de cabelos longos
Caetano Veloso. Ano não informado. Reprodução, via site Mais Você (Globo).

Janeiro de 1969: a deserção de Lamarca

O capitão Carlos Lamarca deserta do Exército com um sargento, um cabo e um soldado, levando 63 fuzis, três metralhadoras e munição numa Kombi. Era um dos primeiros integrantes da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) (BBC News Brasil, via Estado de Minas).

Cartaz Procura-se com as fotos de Carlos Roberto Zanirato, José Mariane Ferreira Alves, Darcy Rodrigues e Carlos Lamarca
Cartaz "Procura-se" da época. Carlos Roberto Zanirato, o ex-cabo José Mariane Ferreira Alves, o ex-2º sargento Darcy Rodrigues e o ex-capitão Carlos Lamarca. Reprodução, via BBC News Brasil.

1969: a VAR-Palmares

A VPR de Lamarca se funde com o Colina, organização de Dilma Rousseff e de Carlos Araújo, e forma a Vanguarda Armada Revolucionária Palmares. Araújo é um dos dirigentes (Poder360). O ex-sargento Darcy Rodrigues, que desertou com Lamarca, disse ter conhecido Dilma na clandestinidade: "A Dilma era o meu contato" (IstoÉ Dinheiro).

Em 18 de julho de 1969, a VAR-Palmares faz a ação do "cofre do Adhemar", no Rio. Carlos Minc participa. Há versões que atribuem a Dilma a organização da operação. Ex-integrantes da organização contestam: segundo o ex-militante Celso Lungaretti, ela tinha função política e o planejamento coube a Juarez Guimarães de Brito (Congresso em Foco, 2014). Dilma afirma que nunca participou efetivamente da luta armada (Band).

4 a 7 de setembro de 1969: o sequestro de Elbrick

Militantes do MR-8 e da ALN sequestram o embaixador dos EUA, Charles Burke Elbrick, no Rio. O plano foi elaborado por Cid Benjamin e Franklin Martins, que queria a libertação do líder estudantil Vladimir Palmeira (Infoescola). O governo militar aceita as duas exigências: o manifesto é lido em rede nacional e 15 presos políticos são levados ao México no avião Hércules 56, já com a cidadania cassada. Entre eles, José Dirceu e Vladimir Palmeira. Elbrick é solto por volta das 20h de 7 de setembro (Vermelho; Departamento de Estado dos EUA).

Retrato em preto e branco de José Dirceu, de barba
José Dirceu. Ano não informado. Reprodução, via Memórias da Ditadura.

Janeiro de 1970: a prisão de Dilma

Dilma Rousseff é presa em São Paulo. Depois de interrogatórios no DOI-Codi e no DOPS, vai para a ala feminina do Presídio Tiradentes, a "Torre das Donzelas". Ali divide a cela com Eleonora Menicucci, presa em julho de 1971. Fernando Pimentel fica preso de 1970 a 1973 e, segundo a IstoÉ Dinheiro, divide com Dilma o banco dos réus num julgamento militar.

Maio de 1970: Eldorado Paulista

A caçada a Lamarca no Vale do Ribeira passa por Eldorado Paulista. Segundo a BBC News Brasil, Jair Bolsonaro, então com 15 anos, disse que a operação o impressionou e o levou a decidir entrar no Exército.

Junho de 1970: Argel

O sequestro do embaixador alemão Ehrenfried von Holleben leva o governo a banir 40 presos para a Argélia. O embaixador é libertado em 16 de junho, no mesmo dia em que os presos seguem num Hércules da FAB para Argel. Carlos Minc está entre eles (Estado de Minas).

1970: Marco Aurélio Garcia

Ex-vice-presidente da UNE e ex-vereador de Porto Alegre, Marco Aurélio Garcia parte para o exílio no Uruguai, segue para o Chile e, depois do golpe de Pinochet, em 1973, se asila com a família na residência do embaixador do Panamá e vai para a França. Volta em 1979 (Fundação Perseu Abramo).

Anos 1970: Tarso Genro no Uruguai

Tarso Genro, eleito vereador pelo MDB em Santa Maria em 1968 (Palácio Piratini), também se exila no Uruguai. Segundo o Jornal do Comércio, ele estudava Direito em Santa Maria, se envolveu com política e foi para o país vizinho até a situação ficar menos perigosa. Lá, pediu a João Goulart ajuda para ir ao Chile de Salvador Allende. Goulart disse que falaria com Darcy Ribeiro, mas a viagem não aconteceu. Anos depois, Tarso soube que o próprio pai tinha pedido a Goulart que não o ajudasse e defendido que ele voltasse ao Brasil.

Já ministro da Justiça do governo Lula (PT), contou ter passado um mês na fazenda de João Goulart durante o exílio (Vermelho).

Retrato oficial de Tarso Genro, de óculos e bigode, em preto e branco
Tarso Genro, retrato oficial de governador do Rio Grande do Sul (2011–2015). Reprodução, via Palácio Piratini.

17 de setembro de 1971: a morte de Lamarca

Lamarca, que naquele ano deixou a VPR pelo MR-8, é encontrado sob uma árvore em Pintada, povoado de Ipupiara (BA), e morto com sete tiros (BBC News Brasil, via Estado de Minas).

Janeiro de 1972: a volta de Gil

Gilberto Gil volta do exílio em Londres.

Gilberto Gil sem camisa, agachado com o dedo nos lábios, diante de um prato; cópia de arquivo com marcações de diagramação
Gilberto Gil, janeiro de 1972, de volta ao Brasil. As marcações à mão são da diagramação do jornal. Arquivo Nacional, imagens do Correio da Manhã, via Memórias Reveladas.

Novembro de 1972: Dilma solta

O Superior Tribunal Militar fixa a pena de Dilma em dois anos e um mês e manda soltá-la. Ela tinha passado dois anos e dez meses presa (Estado de Minas).

Dois dos banidos daqueles anos já preparavam a volta. Um deles voltaria com outro rosto e outro nome.

Capítulo 3

Clandestinidade e anistia

1974 a 1979

Junho de 1974: Carlos Araújo

O marido de Dilma, dirigente da VAR-Palmares, é libertado. Os dois refazem a vida em Porto Alegre (Poder360).

1975: Dirceu volta clandestino

Depois do exílio em Cuba, José Dirceu volta ao Brasil com o rosto alterado por cirurgia e outra identidade e vive em Cruzeiro do Oeste (PR) até 1979 (Memórias da Ditadura). A data da cirurgia tem versões diferentes (ver "O que não se sabe").

Meados dos anos 1970: Franklin Martins

Depois do sequestro, Franklin Martins faz treinamento em Cuba, passa uma temporada na Europa, volta ao Brasil e vive escondido até a anistia (Vermelho). Em 2007, ao assumir a Secom, resumiu: "Vivi na clandestinidade cinco anos e meio. Vivi cinco anos e meio no exílio" (Congresso em Foco).

6 de dezembro de 1976: a morte de Goulart

João Goulart (PTB) morre em Mercedes, na Argentina, ainda no exílio. Em 2013, a família pediu à Comissão Nacional da Verdade que investigasse a suspeita de envenenamento (Estado de Minas).

1978: Lisboa

Depois de encontrar Brizola em Lisboa, Miguel Arraes passa a defender a anistia ampla, geral e irrestrita (Gazeta do Povo).

28 de agosto de 1979: a Lei da Anistia

A Lei 6.683 abre caminho para a volta dos exilados. Brizola entra pelo Brasil por Foz do Iguaçu em setembro; Arraes chega em 15 de setembro. Marco Aurélio Garcia e Franklin Martins também voltam. A Folha cobriu a campanha pela anistia dando mais espaço a Brizola, Luís Carlos Prestes e Arraes e registrou a luta dos exilados por passaporte (UFRGS).

Na imprensa da épocaO semanário Em Tempo, de 5 a 12 de julho de 1979, registrou a entrevista de Prestes, ainda no exílio, às TVs Bandeirantes e Globo. O jornal Desafio, de Maceió, noticiou em 19 de maio de 1979 a volta do primeiro alagoano exilado.

Os que voltavam do exílio e os que tinham saído da prisão logo se encontrariam no mesmo lugar: o partido que Brizola iria fundar.

Capítulo 4

Da volta à chapa

1980 a 2002

O PDT de Brizola, com Dilma

Brizola tenta recriar o PTB, perde a sigla e funda o PDT. No Rio Grande do Sul, Dilma e Carlos Araújo ajudam a fundar o partido; Araújo se elege deputado estadual pelo PDT em 1982. Em 1986, Dilma vira secretária da Fazenda de Porto Alegre na gestão de Alceu Collares (PDT). Em 1989, apoia Brizola (PDT) para presidente (Sul21; Gazeta do Povo; PUC-SP).

1989 a 1998: Brizola e Lula

Em 1989, Brizola (PDT) apoia Lula (PT) no segundo turno contra Fernando Collor. Em 1994 e em 1998, Lula perde para Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que tinha vivido no Chile e na França depois do golpe.

Em janeiro de 1998, Brizola confirma que será o vice na chapa "Lula Presidente, Brizola Vice", lançada em julho em Brasília (Jornal de Brasília; PT Notícias).

Leonel Brizola com as mãos erguidas sob uma faixa do PDT, com balões vermelhos e brancos
Leonel Brizola, presidente nacional do PDT. Data não informada. Reprodução, via Assembleia Legislativa de São Paulo (notícia de 22/06/2004).

2002: Lula vence Serra

Lula (PT) é eleito presidente contra José Serra (PSDB), ex-presidente da UNE que passou pela Bolívia, pelo Chile e pelos EUA durante a ditadura.

Em 1º de janeiro de 2003, o preso trocado pelo embaixador americano em 1969 tomava posse na Casa Civil.

Capítulo 5

No governo

2003 a 2016

Seis exilados, banidos ou clandestinos e três ex-presos políticos ocupam ministérios ou assessorias de primeiro escalão com Lula (PT) ou Dilma (PT).

NomeNa ditaduraCom Lula (PT)Com Dilma (PT)
José Dirceu (PT)Banido em 1969; clandestino a partir de 1975Casa Civil, 2003–jun/2005—
Gilberto Gil (PV)Preso em 1968; exílio em Londres, 1969–1972Cultura, 2003–2008—
Tarso Genro (PT)Exílio no Uruguai, anos 1970Educação, Relações Institucionais e Justiça (Justiça, 2007–2010)—
Franklin MartinsExílio e clandestinidade até 1979Secom, 2007–2010—
Carlos MincBanido para a Argélia em 1970Meio Ambiente, mai/2008–mar/2010—
Marco Aurélio Garcia (PT)Exílio, 1970–1979Assessor especial internacional, 2003–2010Mesmo cargo, 2011–mai/2016
Dilma Rousseff (PT)Presa, 1970–1972Minas e Energia, 2003–2005; Casa Civil, 2005–2010Presidente, 2011–2016
Fernando Pimentel (PT)Preso, 1970–1973—Desenvolvimento, 2011–fev/2014
Eleonora MenicucciPresa em 1971—Mulheres, fev/2012–out/2015

20 de junho de 2005: a vaga de Dirceu

José Dirceu deixa a Casa Civil no auge das denúncias do mensalão. Lula (PT) nomeia Dilma Rousseff, então ministra de Minas e Energia. Na transmissão do cargo, Dirceu a chama de "companheira de armas e de lutas" (Agência Brasil; Correio do Estado).

2005: Eduardo Campos

O neto de Arraes, Eduardo Campos (PSB), é ministro da Ciência e Tecnologia do governo Lula (PT) e volta à Câmara em 2005. Em 2014, seria candidato à Presidência contra Dilma (PT).

31 de dezembro de 2010: Battisti

No último dia do mandato, Lula decide não extraditar Cesare Battisti. O anúncio é feito pelo chanceler Celso Amorim (PT). O caso completo está no capítulo 6.

Janeiro de 2011: a posse de Dilma

Catorze ex-integrantes da VAR-Palmares estão entre os convidados. Fernando Pimentel (PT) assume o Ministério do Desenvolvimento. Segundo ex-militantes, Lula brincava com Dilma e Pimentel dizendo não ter vivido aquelas experiências (IHU/Unisinos). Dilma derrotou José Serra (PSDB) no segundo turno de 2010.

10 de fevereiro de 2012: a companheira de cela

Eleonora Menicucci toma posse na Secretaria de Políticas para as Mulheres, no governo Dilma (PT), e relembra no discurso o tempo de prisão ao lado da presidente (Congresso em Foco).

16 de maio de 2012: a Comissão da Verdade

Dilma instala a Comissão Nacional da Verdade no Planalto, com os ex-presidentes José Sarney, Fernando Collor, FHC e Lula convidados. Em 10 de dezembro de 2014, recebe o relatório final e se emociona (Vermelho; PT).

No último dia do mandato, Lula decidiu o destino de um italiano que tinha fugido para o Brasil. A decisão voltaria a ele dez anos depois.

Capítulo 6

Quem sai do país

1987 a 28 de outubro de 2026

O caso Battisti

Battisti entrou no Brasil fugindo de uma extradição autorizada na França e saiu do Brasil fugindo de outra.

DataFato
1987A Justiça italiana o condena à prisão perpétua por quatro homicídios atribuídos ao grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC); ele se declara inocente
fev/2004Foragido na França, tem a extradição autorizada pelo Conselho de Estado francês; antes da assinatura do decreto, foge para o Brasil
2007A Itália pede a extradição; ele é preso preventivamente no Brasil
2009O STF autoriza a extradição e deixa a palavra final com o presidente da República
31/12/2010Lula (PT) decide não extraditá-lo, em nota divulgada por Celso Amorim (PT); a Itália convoca seu embaixador
08/06/2011O STF decide, por 6 votos a 3, libertá-lo
11/10/2017Michel Temer (PMDB, hoje MDB) decide revogar a condição de refugiado, à espera de um habeas corpus no STF
jan/2019A PF anuncia a prisão de Battisti na Bolívia, como foragido do Brasil
20/08/2020Lula admite o erro e diz que pediria desculpas

7 de abril de 2018: a embaixada que Lula não usou

Com a prisão decretada pelo juiz Sergio Moro, Lula grava um vídeo no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC antes de se entregar à PF: "Eu poderia ter saído, poderia ter ido para uma embaixada". O vídeo é divulgado em 22 de abril (Congresso em Foco).

O caso Jair Bolsonaro (PL)

A embaixada aparece dos dois lados. Em 2018, Lula disse que poderia ter ido para uma. Em 2024, Bolsonaro passou duas noites em uma.

DataFato
2018Candidato, Bolsonaro diz que Lula poderia pedir asilo na Etiópia, episódio relembrado pelo Poder360 em 2024
30/12/2022Dois dias antes da posse de Lula, viaja para Orlando e não passa a faixa presidencial
10/02/2023Em Washington, Lula diz que um dia ele vai ter que voltar ao Brasil
30/03/2023Volta a Brasília, depois de três meses nos EUA
08/02/2024A PF apreende o passaporte dele na Operação Tempus Veritatis, por ordem do ministro Alexandre de Moraes
10/02/2024Segundo a PF, é salvo no celular dele um arquivo de 33 páginas, sem assinatura, com pedido de asilo político ao presidente argentino Javier Milei, em que ele se diz perseguido por motivos políticos
12–14/02/2024Passa duas noites na embaixada da Hungria, em Brasília, durante o Carnaval. A defesa diz que foi "para manter contatos com autoridades do país amigo"
25/03/2024O New York Times revela a estadia; o Itamaraty convoca o embaixador húngaro
20/01/2025À rádio Auriverde Brasil, diz que poderia deixar o país
23/01/2025À CNN Brasil, depois de ter negada a viagem à posse de Trump: "Eu vou para a cadeia, eu não vou fugir do Brasil"
07/03/2025Lula: "meteu o rabo no meio das pernas e fugiu"
24/07/2025Lula: "fugiu como um rato foge"
20/08/2025Relatório da PF revela o arquivo do pedido de asilo; a defesa nega tentativa de fuga e diz que ele nunca cogitou sair do Brasil

16 de abril de 2025: Nadine Heredia

Condenada no Peru, com o marido, o ex-presidente Ollanta Humala, a 15 anos de prisão por lavagem de dinheiro num esquema com a Odebrecht, a ex-primeira-dama não comparece à audiência e se refugia na embaixada do Brasil em Lima. O Itamaraty, do governo Lula (PT), confirma o asilo com base na Convenção de Caracas de 1954. O governo do Peru dá o salvo-conduto, e ela chega a Brasília com o filho num avião da FAB (Congresso em Foco). O Poder360 noticiou depois o custo do voo.

2025: Eduardo Bolsonaro e Carla Zambelli

Eduardo Bolsonaro (PL-SP) está nos EUA desde março de 2025. Em 26 de agosto, numa reunião ministerial, Lula diz: "Ele está adotando os Estados Unidos como pátria, negando a sua pátria" (Congresso em Foco).

Carla Zambelli (PL-SP) deixa o Brasil antes do fim do processo no STF, é condenada a 10 anos e é presa na Itália em julho. Em 13 de outubro, em Roma, Lula diz: "Ela vai pagar pelo erro que fez, ou aqui ou no Brasil" (A Tarde).

Os dez dias antes da saída de Flávio

DataFato
02/06/2026Depois da viagem de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos EUA e do encontro com Trump, Lula diz em Goiás, segundo o Portal de Prefeitura: "Todo covarde é assim"
18/10/2026No debate da Band, Lula: "Você acha que já ganhou, você se prepare porque dia 25 você vai perder imunidade". Segundo a reportagem, disse que as investigações sobre o senador devem avançar depois da votação
23/10/2026No debate da TV Globo, Lula: "Você e Vorcaro parecem uma coisa só". Nas considerações finais, fala em "um miliciano" governando o país; Flávio responde que nunca foi investigado por relação com milícia
25/10/2026Lula (PT) vence o segundo turno
26/10/2026A pedido de três deputados governistas, Alexandre de Moraes manda Flávio entregar os passaportes e o proíbe de sair do país, num inquérito sobre suposta lavagem de dinheiro com o advogado Willer Tomaz. No mesmo dia, Flávio visita o pai
27/10/2026Flávio embarca para os EUA com a família, segundo o Metrópoles; a PF cancela os passaportes. Lula: "O cidadão que sai escondido desse país deve alguma coisa"
28/10/2026A PF diz que a decisão de Moraes não autorizava prisão, vigilância permanente ou outras cautelares, e que a restrição a documentos de viagem, por si só, "não caracteriza a condição de foragido" (segundo o g1)
A imunidade. A eleição não tira o mandato: Flávio segue senador até o fim da legislatura, em janeiro de 2027, e só então deixa o cargo e o foro (Frances News; Jovem Pan).
A versão de Flávio. Segundo a CNN Brasil, uma fonte próxima disse que ele temia ser preso. Flávio nega irregularidades nos inquéritos.
Conexão com outro livro. Daniel Vorcaro, citado por Lula no debate de 23/10/2026, é o personagem de "O Celular de Vorcaro", livro em que Flávio e Jair Bolsonaro também aparecem.

A PF disse que Flávio não era foragido. Na véspera, Lula tinha dito que ele devia alguma coisa. A seguir, todas as falas de Lula sobre quem sai do país, lado a lado.

Ontem e hoje

Nas palavras de Lula

o que ele disse ou decidiu sobre quem sai do país · 2010 a 2026

31/12/2010Decisão: Battisti não será extraditadoRegistro: Cesare Battisti estava condenado na Itália por quatro assassinatos (1977–1979). O anúncio foi feito pelo chanceler Celso Amorim (PT). A Itália convocou seu embaixador em Brasília (Congresso em Foco; Paraíba Notícia).
07/04/2018Eu poderia ter saído, poderia ter ido para uma embaixadaRegistro: vídeo gravado no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC antes de se entregar à PF e divulgado em 22/04/2018 (Congresso em Foco).
20/08/2020Se nós cometemos esse erro, nós pediremos desculpasRegistro: sobre Battisti, que fugiu do Brasil, foi preso na Bolívia em 2019 e confessou os crimes (Congresso em Foco).
10/02/2023Um dia ele vai ter que voltar ao BrasilRegistro: à CNN Internacional, em Washington, sobre Jair Bolsonaro (PL), que estava na Flórida. Disse também que a extradição dependeria dos tribunais (Banda B).
07/03/2025meteu o rabo no meio das pernas e fugiuRegistro: sobre Jair Bolsonaro (PL), em evento em Minas Gerais (SBT News).
16/04/2025Ato do governo: asilo e voo da FAB para Nadine HerediaRegistro: ela foi condenada no Peru a 15 anos por lavagem de dinheiro (caso Odebrecht) e se refugiou na embaixada do Brasil em Lima antes da sentença. O Itamaraty, do governo Lula (PT), confirmou o asilo diplomático (Congresso em Foco; Poder360).
24/07/2025fugiu como um rato fogeRegistro: sobre Jair Bolsonaro (PL) (Diario de Pernambuco).
26/08/2025Ele está adotando os Estados Unidos como pátria, negando a sua pátriaRegistro: em reunião ministerial, sobre Eduardo Bolsonaro (PL-SP), nos EUA desde março de 2025 (Congresso em Foco).
13/10/2025Ela vai pagar pelo erro que fez, ou aqui ou no BrasilRegistro: em Roma, sobre Carla Zambelli (PL-SP), presa na Itália (A Tarde).
02/06/2026Todo covarde é assimRegistro: em Goiás, sobre a viagem de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos EUA e o encontro com Donald Trump, segundo o Portal de Prefeitura. Fala ainda não confirmada em outro veículo.
18/10/2026Você acha que já ganhou, você se prepare porque dia 25 você vai perder imunidadeRegistro: a Flávio Bolsonaro (PL-RJ), no debate da Band (Hoje em Dia). A eleição não tira o mandato: ele segue senador até janeiro de 2027.
27/10/2026O cidadão que sai escondido desse país deve alguma coisaRegistro: sobre Flávio Bolsonaro (PL-RJ), no dia em que ele embarcou para os EUA. Na mesma fala: "E não vá dizer que não há democracia" (CNN Brasil).

Sobra a pergunta que as falas não respondem. O autor dá a sua resposta a seguir.

Atualizado em 28 de outubro de 2026

Onde tudo está hoje

Nos EUAFlávio Bolsonaro (PL-RJ)Embarcou em 27/10/2026, depois da ordem de Moraes para entregar os passaportes, que a PF cancelou. Segundo a PF, não é foragido. Investigado em três inquéritos no STF; nega irregularidades. Senador até janeiro de 2027.
Prisão domiciliarJair Bolsonaro (PL)Condenado pelo STF a 27 anos e 3 meses pela tentativa de golpe; inelegível. Estava na Papuda até Alexandre de Moraes conceder prisão domiciliar por razões de saúde, em março de 2026. Cumpre a pena em casa, em Brasília (Terra; Diario de Cuyo).
ReeleitoLula (PT)Venceu o segundo turno de 25/10/2026.
Em XangaiDilma Rousseff (PT)Presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, o banco dos Brics, desde 2023, por indicação de Lula. Reconduzida em 2025 por mais cinco anos.
AsiladaNadine HerediaNo Brasil desde 16/04/2025, com asilo diplomático concedido pelo governo Lula (PT).
Presa na ItáliaCarla Zambelli (PL-SP)Presa desde julho de 2025. Em outubro de 2025, o pedido de extradição do Brasil ainda não tinha sido concluído (A Tarde).
Nos EUAEduardo Bolsonaro (PL-SP)Nos EUA desde março de 2025, segundo reportagem de agosto de 2025.
Palavra do autor

O direito de sair

Único trecho do livro com opinião

Por que "covardes", entre aspas. O título devolve a Lula (PT) a palavra que ele usa para quem sai do país. Em março de 2025, disse que Jair Bolsonaro (PL) "meteu o rabo no meio das pernas e fugiu". Em julho, que ele "fugiu como um rato foge". Em 27 de outubro de 2026, que quem "sai escondido" do país deve alguma coisa. Este livro aplica a mesma régua a quem Lula levou para o governo e para a chapa, e mostra que ninguém deveria ser medido por ela.

O direito de sair. A Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, garante no artigo 13 que toda pessoa pode deixar qualquer país, inclusive o próprio, e a ele voltar. O artigo 14 garante o direito de buscar asilo contra perseguição. A Constituição de 1988 inclui a concessão de asilo político entre os princípios das relações internacionais do Brasil (art. 4º, inciso X).

O que os governos de Lula fizeram com esse direito. Em 2010, Lula decidiu que Cesare Battisti, condenado na Itália, não seria entregue à Justiça italiana. Em 2025, o governo deu asilo a Nadine Heredia, condenada no Peru, e a trouxe num avião da FAB. Itália e Peru são democracias. Em 2018, o próprio Lula disse que poderia ter ido para uma embaixada e preferiu ficar. Ele sabia que a saída existe para quem não confia em quem vai julgá-lo.

A pergunta do livro. Quem decide quando a Justiça é isenta? Em 1964, segundo uma biografia lançada em 2025, Leonel Brizola (PTB) fugiu para o Uruguai disfarçado de soldado da Brigada Militar. Em 1969, José Dirceu foi banido e, em 1975, voltou clandestino. Em 2010 e em 2025, o governo Lula decidiu que dois condenados no exterior ficariam no Brasil. Quando quem sai é adversário, a saída vira dívida: "deve alguma coisa". O direito de sair não deveria mudar conforme o lado de quem sai.

A objeção. Há quem responda que o Brasil de hoje tem democracia, recursos e direito de defesa. E que entregar o passaporte por ordem judicial é um limite legal à saída: o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos admite restrições previstas em lei. É a linha que o próprio Lula traçou: "não vá dizer que não há democracia". Nas páginas seguintes, o leitor tem as falas e as datas para decidir se essa linha foi aplicada da mesma forma a todos.

Quem é quem

Personagens

Cada pessoa tem uma cor própria. O sublinhado do nome indica o grupo.

Exilado, banido ou clandestino na ditaduraPreso na ditaduraPresidenteSaídas e asilos depois de 2010Outros
LU
Luiz Inácio Lula da Silva (PT)PresidentePresidente (2003–2010 e desde 2023), reeleito em 25/10/2026. Preso em 2018; disse que poderia ter ido para uma embaixada.
LB
Leonel Brizola (PTB; depois PDT)ExiladoExilado no Uruguai em 1964. Voltou em 1979, fundou o PDT e foi vice na chapa de Lula em 1998. Morreu em 2004.
JG
João Goulart (PTB)ExiladoPresidente deposto em 1964, cunhado de Brizola. Morreu no exílio, em 1976.
MA
Miguel ArraesExiladoGovernador de Pernambuco preso em 1964; na Argélia de 1965 a 1979. Avô de Eduardo Campos (PSB).
JD
José Dirceu (PT)BanidoBanido para o México em 1969; voltou clandestino em 1975. Ministro-chefe da Casa Civil do governo Lula (PT), de 2003 a 2005.
GG
Gilberto Gil (PV)ExiladoPreso após o AI-5, exilado em Londres de 1969 a 1972. Ministro da Cultura do governo Lula (PT), de 2003 a 2008.
FM
Franklin MartinsExilado e clandestinoPlanejou o sequestro de Elbrick; viveu no exílio e na clandestinidade até 1979. Ministro da Secom do governo Lula (PT), de 2007 a 2010.
CM
Carlos MincBanidoVAR-Palmares; banido para a Argélia em 1970. Ministro do Meio Ambiente do governo Lula (PT), de 2008 a 2010.
MG
Marco Aurélio Garcia (PT)ExiladoExilado de 1970 a 1979. Assessor especial para Assuntos Internacionais dos governos Lula e Dilma (PT), de 2003 a 2016. Morreu em 2017.
TG
Tarso Genro (PT)ExiladoExilado no Uruguai nos anos 1970. Ministro da Educação, das Relações Institucionais e da Justiça do governo Lula (PT).
DR
Dilma Rousseff (PT)PresaVAR-Palmares; presa de 1970 a 1972. Ministra de Lula, presidente de 2011 a 2016 e, desde 2023, presidente do banco dos Brics, em Xangai.
FP
Fernando Pimentel (PT)PresoPreso de 1970 a 1973; dividiu o banco dos réus com Dilma. Ministro do Desenvolvimento do governo Dilma (PT), de 2011 a 2014.
EM
Eleonora MenicucciPresaPresa em 1971; dividiu com Dilma a "Torre das Donzelas". Ministra das Mulheres do governo Dilma (PT), de 2012 a 2015.
CA
Carlos Araújo (PDT)PresoDirigente da VAR-Palmares, marido de Dilma; libertado em 1974. Ajudou a fundar o PDT e foi deputado estadual. Morreu em 2017.
CL
Carlos LamarcaOutrosCapitão que desertou do Exército em janeiro de 1969; líder da VPR. Morto em 17/9/1971.
JB
Jair Bolsonaro (PL)Saída depois de 2010Ex-presidente. Viajou aos EUA antes da posse de Lula, em 2022; passou duas noites na embaixada da Hungria em 2024. Em prisão domiciliar.
FB
Flávio Bolsonaro (PL-RJ)Saída depois de 2010Senador, derrotado por Lula em 25/10/2026. Embarcou para os EUA em 27/10/2026.
EB
Eduardo Bolsonaro (PL-SP)Saída depois de 2010Deputado federal; nos EUA desde março de 2025, segundo a imprensa.
CZ
Carla Zambelli (PL-SP)Saída depois de 2010Deixou o Brasil antes do fim do processo no STF; condenada a 10 anos; presa na Itália desde julho de 2025.
CB
Cesare BattistiSaída depois de 2010Condenado na Itália em 1987; refugiado no Brasil; Lula negou a extradição em 2010. Preso na Bolívia em 2019.
NH
Nadine HerediaAsilo depois de 2010Ex-primeira-dama do Peru, condenada por lavagem de dinheiro; asilada no Brasil desde abril de 2025.
Ligações

Alertas de conexão

Nove fios ligam os personagens entre si e ao Planalto.

Conexão com outros livros da série. José Dirceu aparece em "O Celular de Roberta Luchsinger", na conversa de 11/04/2024 ("Eh coisa do Zé Dirceu"), sobre o financiamento do documentário de Oliver Stone sobre Lula, e em "O Celular de Vorcaro", na delação sobre R$ 30 milhões para um documentário. Não há prova de que seja o mesmo dinheiro.
Método

Sobre este livro

Fora a palavra do autor, o livro não faz juízo sobre as pessoas. Cada fato aparece com a data, o contexto da imprensa da época e, quando há, a versão de quem é citado. Os capítulos seguem a ordem do tempo, de 1964 a 28 de outubro de 2026.

Exílio, banimento, clandestinidade e prisão. São situações diferentes, e o livro as separa. Exilado é quem saiu do país para fugir de perseguição. Banido é quem foi expulso pelo governo militar, como os presos trocados por embaixadores sequestrados. Clandestino é quem viveu no Brasil com identidade falsa. Dilma Rousseff, Fernando Pimentel e Eleonora Menicucci não saíram do país: foram presos.
Partidos e cargos. Políticos aparecem com o partido; ministros e assessores de primeiro escalão, com o governo e o partido a que serviam. Quando a filiação na época não foi confirmada, o nome aparece sem sigla e a pendência fica em "O que não se sabe".
Fotos. Entram só imagens com origem identificada, com o crédito como aparece na fonte. Quando a fonte não traz o nome do fotógrafo, a legenda diz "Reprodução" e indica o site de origem.
Em aberto

O que não se sabe

Para ir além

Livros de referência

Referências

Fontes